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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Shekhinah

Shekhinah ou Shekiná (em hebraico: שכינה, Pronúncia: [ʃe̞χiˈnä]; "habitação", "assentamento") (outras transliterações possíveis: Shekinah, Shechinah, Shekina, Shechina, Schechinah) é a grafia em português de uma palavra gramaticalmente feminina em hebraico e é utilizada para designar a habitação ou presença de Deus (cf. divina presença), especialmente no Templo em Jerusalém. No entanto, Shekina não é a Gloria de Deus; Kabod sim é a Gloria de Deus. Sendo que essa palavra não é encontrada em nenhum dicionario hebraico.

Etimologia

Shekhinah é derivada do verbo hebraico שכן (ShKhN). No hebraico bíblico, esta palavra nunca foi usada, apenas a sua raiz, na forma verbal. Shekhinah significa literalmente, assentamento, habitação ou moradia. A palavra Shekhinah só aparece na Cabala hebraica. O verbo Shakhan é usado na Bíblia hebraica (ver Êxodo 40:35: " Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem permanecia [Shakhan] sobre ela, e a glória do SENHOR enchia o tabernáculo"). Ver também por exemplo, Gênesis 9:27, Gênesis 14:13, Salmos 37:3, Jeremias 33:16), bem como na bênção semanal do Shabat, recitada no Templo de Jerusalém ("Ele, que faz com que o seu nome habite [shochan] nesta Casa, para habitar no meio de vocês o amor e fraternidade, paz e amizade").

Significado no Judaísmo

Designando a faceta da revelação divina aos homens, a "Divina Presença", sendo também considerada a face "feminina" e "materna" dela. O vocábulo "shechiná" não aparece na Bíblia Judaica nem no Novo Testamento, sendo uma palavra derivada da raiz hebraica ש-כ-נ (sh-k-n), cujo significado é "habitar", "fazer morada".
De acordo com a concepção cabalística e do ramo hassidísmo do judaísmo, a Shechiná é uma energia cósmica poderosíssima em si mesma, que habita no "interior" do Universo e vivifíca-o, sendo a sua "alma" ou "espírito".
"A Shekiná, como uma ideia concreta, aparece só na Literatura rabínica, havendo somente "alusões" a esta presença divina, no meio do povo de Israel, na Torá, quando Deus disse ao seu povo "וְעָשׂוּ לִי מִקְדָּשׁ וְשָׁכַנְתִּי בְּתוֹכָם" - "e fareis um santuário para Mim, e habitarei no meio deles (dos israelitas);"וְשָׁכַנְתִּי בְּתוֹךְ בְּנֵי יִשְׂרָאֵל, וְהָיִיתִי לָהֶם לֵאלֹהִים" - "e habitarei no meio dos filhos de Israel, e serei-lhes por Deus"; e "יְהֹוָה צְבָאוֹת הַשֹּׁכֵן בְּהַר צִיּוֹן" - "o Eterno dos exércitos, aquele que habita em Sião.
Esta faceta da divindade, que é a menor de todas as outras revelações, é o meio comunicativo entre o homem e Deus. Ela é "mensurável" de acordo com a posição de cada pessoa e dos seus atos; sendo que, às vezes, ela se revela e, às vezes, se oculta, como os Sábios de Israel disseram, quando se referiam ao Segundo Templo, que não tinha a "pairar da Shechiná (sobre ele)". Já em relação ao Diáspora, os rabinos disseram que, de alguma forma, a Shechiná preservou uma relação com Israel, especialmente quando este passou por períodos difíceis, espalhados entre as nações: "a todo lugar onde para lá foi exilado Israel - a Shechiná foi (também) exilada com ele", sofrendo também com ele nos infortúnios. Rabi Chanina, no Talmude, agrava ainda mais esta concepção, quando diz que "aquele que esbofetea a face de Israel, é como se estivesse esbofeteado a face da Shechiná".

A Shekhinah no Cristianismo

Muitos cristãos também consideram que a Shekhinah tenha se manifestado em inúmeros casos no Novo Testamento, como no caso de Jesus no monte da transfiguração (Mc 9.7-11) e na sua ascensão (At 1.9-11).

A Shekhinah no Islamismo

A palavra سكينة (Sakinah) é mencionada seis vezes no Alcorão. Ela representa garantia de paz, calma e tranquilidade. O capítulo 2, versículo 248 diz: "E seu mensageiro disse-lhes: Em verdade! O sinal do seu reino é que não virá a vós At-Tabut (a arca perdida), onde é Sakinah do vosso Senhor e um remanescente do que Moisés e Arão deixaram para trás, levado pelos anjos. Em verdade, nisto há um sinal para vós, se sois crentes." É muitas vezes descrita como "sensação reconfortante de estar na presença (ou sob a proteção) de Deus."
Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Trauma Psicológico

O trauma psicológico é um tipo de dano emocional que ocorre como resultado de algum acontecimento. Pressupõe uma experiência de dor e sofrimento emocional ou físico. Como experiência dolorosa que é, o trauma acarreta uma exacerbação do medo, o que pode conduzir ao estresse, envolvendo mudanças físicas no cérebro e afetando o comportamento e o pensamento da pessoa, que fará de tudo para evitar reviver o evento que lhe traumatizou. Igualmente, pode acarretar depressão, comportamentos obsessivos compulsivos e outras fobias ou transtornos, como o de pânico.
O trauma pode ser causado por vários tipos de eventos, mas há alguns aspectos em comum. Geralmente envolve o sentimento de completo desamparo diante de uma ameaça real ou subjetiva à própria vida, ou à vida de pessoas amadas, ou à integridade do corpo. Um trauma pode, frequentemente, violar as ideias do indivíduo a respeito do mundo, colocando o indivíduo num estado de extrema confusão e insegurança. O trauma também pode acontecer em decorrência da traição de alguma pessoa ou instituição de maneira imprevista, ou ainda, alguma desilusão ou privação sofrida em algum(s) momento(s) da vida, que possa ter ocasionado transtornos no indivíduo.

Um evento traumático que envolve uma experiência ou uma série de experiências diferentes afetam a maneira de o indivíduo responder com as ideias ou reações preestabelecidas, podendo às vezes durar semanas ou perpetuar-se, transferindo-se de pais para filhos, durante séculos .

O trauma psicológico pode vir acompanhado de um trauma físico ou existir de maneira independente. Tipos de causas de traumas psicológicos são: perda de entes queridos,abuso sexual, violência ou ameaças, desafeto/desilusão,mudança repentina, especialmente se ocorrem na infância ou adolescência. Eventos catastróficos como terremotos e erupções vulcânicas, guerra ou outras formas de violência em massa também podem causar traumas psicológicos, assim como exposição à miséria durante longo tempo ou mesmo abuso verbal.

Entretanto, pessoas diferentes reagem de maneiras diferentes em eventos similares. Uma pessoa pode sentir como traumático um evento que outra pessoa pode não sentir, e nem todas as pessoas que passam por experiências traumáticas podem se tornar psicologicamente traumatizadas

Fonte: Wikipédia

sábado, 8 de abril de 2017

Radiestesia

Radiestesia ou radioestesia é uma sensibilidade a determinadas radiações, como energias emitidas por seres vivos e elementos da natureza. As aplicações são, por exemplo, feitas por pessoas que podem determinar o local exato onde há poços de água subterrâneos com apenas uma vareta de madeira, ou pessoas que podem encontrar alguém desaparecido com um pêndulo e um mapa.
A radioestesia é uma pseudociência. Seus defensores possuem a capacidade de captar radiações e energias emitidas por quaisquer objetos. Esta habilidade permitiria aos radiestesistas (geralmente com o auxílio de bastões, pêndulos e outros instrumentos) encontrar água e minerais, corpos enterrados, objetos perdidos, ou qual seria a melhor dieta para um determinado organismo.
Ainda segundo estes, não existem artigos publicados em periódicos científicos que corroborem tal hipótese (a sensibilidade às radiações).

Etimologia

As palavras radioestesia e radiestesia são neologismos construídos a partir de dois termos: o latino radium, "radiação", e o grego αἴσθησις [aísthesis], "percepção pelos sentidos". No passado usava-se também o termo rabdomancia, formado pelos termos gregos ῥάβδος, "vara" ou "verga", e μαντεία "adivinhação".

Dados históricos

Os primeiros pêndulos foram encontrados no Egito, no Vale dos Reis. Há cerca de 2000 anos antes da nossa era, chineses radiestesistas já se utilizavam da arte do pêndulo para encontrar fontes da água, minérios e a usavam também na agricultura.
No século XVIII, em 1780, os médicos Dr. Thouvenel e Dr. Bleton escrevem o livro "Memória física e medicinal", demonstrando as relações entre a forquilha, o magnetismo e a eletricidade.
Em 1890, os abades Mermet e Bouly usaram pela primeira vez o termo radiestesia.
Em 1929 é criada a Associação Francesa dos Amigos da Radioestesia, que contava com a participação de vários cientistas das melhores academias de ciências da época. Desde então esta ciência tem ganhado inúmeros adeptos, crescendo muito no domínio da medicina, da psicologia, na harmonização de casas e terrenos.
Segundo a Radioestesia existe um campo magnético terrestre que provoque um radiação, que possam mover na terra certas linhas ou correntes telúricas como se fossem uma rede a fazer cruzamentos entre elas, originando a teoria das Linhas de Ley assim como das linhas Hartmann e Curry, estudadas por Ernst Hartmann e Manfred Curry respectivamente, que possam ter influência em todos os seres vivos.

Críticas

Recentemente, uma pesquisa foi realizada em Kassel, na Alemanha, sob a direção da Gesellschaft zur Wissenschaftlichen Untersuchung von Parawissenschaften (GWUP) [Sociedade para a Investigação Científica das Paraciências]. O teste de cerca de 30 radiestesistas consistia de canos enterrados a 50 centímetros, por onde água poderia ser controlada e direcionada. Na superfície, a posição de cada cano foi demarcada com uma fita colorida, portanto tudo o que os radiestesistas deveriam fazer era indicar se havia ou não água correndo pelo cano. Todos assinaram um atestado concordando que aquele era um teste justo de suas habilidades e que esperavam 100% de acerto. Os resultados não foram melhores do que aqueles que seriam esperados pelo acaso.
James Randi por muitos anos ofereceu o Desafio Paranormal de Um Milhão de Dólares, em que a Fundação Educacional James Randi oferece um milhão de dólares a quem demonstrar evidências de qualquer efeito paranormal sob condições controladas. Os candidatos realizam testes preliminares (projetados por eles mesmos em concordância com a fundação), e aqueles que passam dos testes preliminares realizam o teste formal para concorrer ao milhão de dólares. Até hoje, das centenas de candidatos que realizaram os testes - incluindo dúzias de radiestesistas realizando testes similares ao descrito acima - nenhum passou ainda.

Estudos científicos

A radioestesia não prova ser uma ciência no sentido estrito, pois não há dados que corroborem as hipóteses dos proponentes. Todos os experimentos conduzidos seguindo o método científico demonstraram que o uso de técnicas de radioestesia não aumenta a probabilidade de que seja encontrada água no solo estudado, por exemplo.
Porém, mesmo existindo divergências sobre sua eficácia a radioestesia conseguiu ser aceita pela Academia de Ciências de Cuba, e ser incluída em 2009 entre os temas debatidos no VIII Congresso Cubano de Geologia
A radioestesia também foi por muitos anos aceita nos Estados Unidos como ciência; No entanto faltam estudos para comprovar o tema.

Outras possíveis explicações

Alega-se que o movimento dos bastões dos radiestesistas é causado pelo efeito ideomotor, que supostamente explicaria essa característica - além de outros supostos mistérios paranormais.
Alega-se também que a aparente taxa de acerto elevada é causada pelo viés de confirmação - quando lembram-se dos acertos como evidência de funcionamento de uma hipótese, e os erros não são mencionados. Essa supostamente seria uma tendência natural da mente humana e não necessariamente aplicada de má-fé pelos proponentes; contudo, a ciência prende-se pela objetividade e não pela intuição. Entretanto ela vem sendo usada há mais de 2 mil anos por diferentes povos em diferentes lugares.

Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 8 de março de 2017

Surto psicótico

Surto Psicótico é um episódio de desorganização da representação da realidade, desencadeado diante de uma vivência não significável a partir dos recursos representativos possuídos pelo indivíduo, desenvolvidos em um momento crítico da neurogênese na primeira infância. A fim de poder entender uma vivência que se mostrou irrepresentável psiquicamente, uma busca por padrões concebíveis é tentada, sem sucesso, pelo sistema nervoso da pessoa, que leva a contínuas mudanças de representações perceptivas em busca de formas um pouco mais estáveis, que lhe permita reconhecer e se relacionar com a realidade.

Os padrões psíquicos reconstruídos com frequência fogem às representações socialmente difundidas, fazendo com que os comportamentos verbais e não-verbais apresentados pelo psicótico causem estranhamento e incompreensão até às pessoas próximas. Começar o tratamento nos primeiros surtos evita sérias complicações e agravamento da psicose. Quanto mais cedo começarem o tratamento melhor o prognóstico do paciente.

Ocorrência

Os surtos são comuns na esquizofrenia e podem ocorrer na fase maníaca aguda do transtorno bipolar. Também podem ser desencadeados por substâncias psicoativas, como álcool, maconha, anfetamina, cocaína, etc.

Características

Durante o surto podem ocorrer manifestações de paranóia, alucinações e delírios. O surto geralmente dura algumas semanas e pode ser encurtado de acordo com a medicação administrada. A medicação também pode impedir um surto ou torná-lo menos grave se ocorrer. Normalmente o surto é precedido por comportamentos estranhos do indivíduo, que só podem ser detectados poucos dias antes que este entre em crise. Sendo assim, é muito importante acompanhar pacientes nesta situação a fim de medicá-los antes do início do surto.
Segundo o DSM IV, um dos sintomas para se diagnosticar esquizofrenia é a duração do surto de, no mínimo, seis meses.

Não pode ser transmitida para outras pessoas, é uma desorganização mental grave e não tem poder para induzir outras mentes a fazer o mesmo.
Quando os surtos psicóticos começam antes dos 30 anos o prognóstico é pior. A idade de início da esquizofrenia no homem (15 a 25 anos) é menor que na mulher (25 a 35 anos). Isso ocorre pelas diferenças entre fontes de estresse e hormônios entre homens e mulheres.

Início da esquizofrenia

Sintomas comuns de início de esquizofrenia incluem:
  • Regressão;
  • Confusão mental;
  • Transtornos de ansiedade que progridem para estado de pânico;
  • Delirium;
  • Delírio;
  • Excitação motora;
  • Insônia e;
  • Catatonia.
O surto psicótico é um importante preditor de esquizofrenia. É importante que nos primeiros surtos psicóticos haja uma intervenção na família, pois os surtos são altamente desestruturantes da estrutura familiar e a participação da família é essencial no tratamento das psicoses.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Pensamento sistêmico

O pensamento sistêmico é uma forma de abordagem da realidade que surgiu no século XX, em contraposição ao pensamento "reducionista-mecanicista" herdado dos filósofos da Revolução Científica do século XVII, como Descartes, Francis Bacon e Newton. O pensamento sistêmico não nega a racionalidade científica, mas acredita que ela não oferece parâmetros suficientes para o desenvolvimento humano e para descrição do universo material, e por isso deve ser desenvolvida conjuntamente com a subjetividade das artes e das diversas tradições espirituais. Isto se deve à limitação do método científico e da análise quando aplicadas nos estudos de física subatômica (onde se encontram as forças que compõem todo o universo), biologia, medicina e ciências humanas. É visto como componente do paradigma emergente, que tem como representantes cientistas, pesquisadores, filósofos e intelectuais de vários campos. O pensamento sistêmico inclui a interdisciplinaridade.

Visão Sistêmica

Visão sistêmica consiste na habilidade em compreender os sistemas de acordo com a abordagem da Teoria Geral dos Sistemas, ou seja, ter o conhecimento do todo, de modo a permitir a análise ou a interferência no mesmo.
A visão sistêmica é formada a partir do conhecimento do conceito e das características dos sistemas.
Visão sistemática é a capacidade de identificar as ligações de fatos particulares do sistema como um todo. Foi desenvolvida a partir da necessidade de explicações complexas exigidas pela ciência.
Mas para entender a visão sistêmica, primeiro precisamos delinear as principais características de um sistema, dentre as quais podemos citar:
  • Um sistema é composto por partes.
  • Todas as partes de um sistema devem se relacionar de forma direta ou indireta.
  • Um sistema é limitado pelo ponto de vista do observador ou um grupo de observadores.
  • Um sistema pode abrigar outro sistema.
  • Um sistema é vinculado ao tempo e espaço.

Os paradigmas da ciência tradicional segundo o pensamento "reducionista-mecanicista" e a distinção do paradigma sistêmico emergente

O pressuposto da simplicidade

1. O pressuposto da simplicidade - a crença em que, separando-se o mundo complexo em partes, encontram-se elementos simples, em que é preciso separar as partes para entender o todo, ou seja, o pressuposto de que "o microscópico é simples". Daí decorrem, entre outras coisas, a atitude de análise e a busca de relações causais lineares.
O pressuposto da simplicidade tira o objeto de estudo dos seus contextos, prejudicando a compreensão das relações entre o objeto e o todo. Esse paradigma também leva à separação dos fenômenos: os físicos dos biológicos, estes dos psicológicos, dos culturais, etc., numa atitude de atomização científica. Faz parte dessa perspectiva também a atitude ou-ou, que, de acordo com a lógica, classifica os objetos, não permitindo que um mesmo objeto pertença a duas categorias diferentes. Além disso, esse pressuposto provoca a compartimentalização do saber, fragmentando o conhecimento em diferentes disciplinas científicas... Dessa forma criam-se os especialistas, aqueles que tem um acesso privilegiado ao conhecimento, estabelecendo-se uma hierarquia do saber.

O pressuposto da estabilidade

2. O pressuposto da estabilidade - a crença de que o mundo é estável, ou seja, em que o "mundo já é". Ligados a esse pressuposto estão a crença na determinação - com a consequente previsibilidade dos fenômenos - e a crença na reversibilidade - com a consequente controlabilidade dos fenômenos.
O pressuposto da estabilidade leva o cientista a estudar os fenômenos em laboratório, onde pode variar os fatores um de cada vez, exercendo controle sobre as outras variáveis. Assim, ele provoca a natureza para que explicite, sem ambiguidade, as leis a que está submetida, confirmando ou não suas hipóteses. Ao levar o fenômeno para laboratório, excluindo o contexto e a complexidade, focalizando apenas o fenômeno que estava acontecendo, ele exclui a sua história.
A ideia de "leis da natureza" é a mais fundamental da ciência moderna e tem uma conotação legalista, como se a natureza fosse obrigada a seguir leis... Possivelmente isso está ligado a idéias religiosas que concebem um legislador onipotente. Será que isso não seria uma tentativa de equiparar o conhecimento humano ao divino?
Dessa forma, principalmente a física concebe o mundo "que já é", e não em processo de ser, recorrendo a sistemas em estado de equilíbrio para estudo. Também por isso a física quântica quebrou velhos paradigmas...
Faz parte desse paradigma o pressuposto da previsibilidade: o que não é previsto com segurança é associado a um conhecimento imperfeito, o que leva a uma redução ainda maior do conhecimento por meio do pressuposto da simplicidade. Por conseguinte, a instabilidade de um sistema é visto como um desvio a corrigir. A idéia da controlabilidade dos fenômenos leva a uma interação do especialista na forma de uma interação instrutiva: a crença de que o comportamento do sistema será determinado pelas instruções que ele receber do ambiente e em que, portanto, poderá ser controlado e previsível.

O pressuposto da objetividade

3. O pressuposto da objetividade - a crença em que "é possível conhecer objetivamente o mundo tal como ele é na realidade" e a exigência da objetividade como critério de cientificidade. Daí decorrem os esforços para colocar entre parênteses a subjetividade do cientista, para atingir o universo, ou versão única do conhecimento.
No pressuposto da objetividade o cientista posiciona-se "fora da natureza", em posição privilegiada, com uma visão abrangente, procurando discriminar o objetivo do ilusório (suas próprias opiniões ou subjetividade). Daí advém a crença no realismo do universo: o mundo e o que nele acontece é real e existe independente de quem o descreve. Com isso obtemos várias representações da realidade, que ajudaria a descobri-la. E o critério de certeza advém daquelas observações conjuntas e reproduzíveis, onde, coincidindo os registros de observações independentes, mais confiáveis e objetivas são as afirmações. A estatística encontra aí um bom campo de atuação.
O relatório impessoal e as normas de trabalho científico orientam uma linguagem impessoal, "como se a caneta fosse um instrumento para a manifestação de uma verdade anônima"... Na verdade, a linguagem impessoal visa a "mascarar" a linguagem de forma a dar uma impressão de ausência de um sujeito, de um pesquisador, onde uma afirmação pode tomar a forma impessoal para mascarar uma opinião pessoal...
Resumindo: a ciência tradicional procura simplificar o universo (dimensão da simplicidade) para conhecê-lo ou saber como funciona (dimensão da estabilidade), tal como ele é na realidade (dimensão da objetividade).
Isso levou a uma dificuldade tremenda em três áreas científicas, onde podemos classificar, de acordo com Vasconcellos (2003), a adoção dos paradigmas científicos em fácil, tranquilo e difícil:


O pensamento sistêmico não nega o paradigma científico. Pelo contrário: ele o abarca, colocando-o em confronto com os paradigmas opostos e propondo uma ampliação dos paradigmas existentes.

O Pensamento sistêmico e a psicologia analítica de Carl Gustav Jung

Muitas críticas à teoria junguiana coincidem com a dificuldade em se aceitar a psicologia como ciência devido aos pressupostos apresentados. O pensamento sistêmico propõe, em contraposição, os paradigmas da complexidade, da instabilidade e da intersubjetividade, que se integram incrivelmente com a psicologia analítica.
O pressuposto da complexidade reconhece que a simplificação obscurece as inter-relações dos fenômenos do universo e de que é imprescindível ver e lidar com a complexidade do mundo em todos os seus níveis. Um exemplo de uma descrição baseada nesse pressuposto é a Sincronicidade, que prevê outras relações, que não são causais, para os eventos do universo. Além disso, a psicologia analítica lida de modo sistêmico com a psique, daí seu homônimo: psicologia complexa, ou profunda.
O pressuposto da instabilidade reconhece que o mundo está em processo de tornar-se, advindo daí a consideração da indeterminação, com a consequente imprevisibilidade, irreversibilidade e incontrolabilidade dos fenômenos. A abordagem orgânica, a homeostase psíquica, e a noção de inconsciente (o que inclui a freudiana), com os seus componentes arquetípicos e complexos são exemplos de abordagem sistêmica da psicologia analítica.
O pressuposto da intersubjetividade reconhece que não existe uma realidade independente de um observador e que o conhecimento científico é uma construção social, em espaços consensuais, por diferentes sujeitos/observadores. Então o cientista trabalha com múltiplas versões da realidade, em diferentes domínios linguísticos de explicações. Os tipos psicológicos junguianos são o que há de mais inovador nesse sentido, tendo inclusive reconhecimento científico tradicional na detecção dos tipos de personalidade.

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Alienação

A palavra alienação (do latim alienatione) tem várias definições: cessão de bens, transferência de domínio de algo, perturbação mental na qual se registra uma anulação da personalidade individual, arroubamento de espírito, loucura. A partir desses significados, se traçam algumas diretrizes para melhor analisar o que é alienação e, assim, buscar alguns motivos pelos quais as pessoas se alienam.
Os processos alienantes da vida humana foram tratados de maneira atemporal, defraudada, abstraída de processos socioeconômicos concretos. O suicídio, sendo um fenômeno que indica uma qualquer desordem mental, insere-se no quadro da alienação. A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesmo, tornando-se sua própria negação. Alienação refere-se à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar e agir por si próprios.

História

O conceito de alienação é histórico, tendo uma aplicação analítica, numa ligação recíproca entre sujeito, objeto e condições concretas específicas. A história afirma que o homem evoluiu de acordo com seu trabalho. A diferença do homem está na sua criatividade de procurar soluções para seus problemas, pois, com a prática do trabalho, desenvolve seu raciocínio e sempre aprende uma "nova lição", colocando-a em prática.
Por isso, a alienação no trabalho é gerada na sociedade devido à mercadoria, que são os produtos confeccionados pelos trabalhadores explorados, e ao lucro, que vem a ser a usurpação do trabalhador para que mais mercadorias sejam produzidas e vendidas acima do preço investido no trabalhador, assim rompendo o homem de si mesmo.
No entanto, a produção depende do consumo e vice-versa. Sendo que o consumo produz a produção, e sem o consumo o trabalhador não produz. A produção consome a força de trabalho, também sustentando o consumo, pois cada mercadoria consumida vira uma mercadoria a ser produzida. Por conseguinte, ao se consumir de um produto que não é por si produzido, se fecha o ciclo de alienação. Pois, quando um produto é comprado, estará alimentando pessoas por um lado, e por outro colaborando com sua alienação e suas respectivas explorações. Onde quer que o capital imponha relações entre mercadorias, a alienação se manifesta; é a relação social engendrada pelo capital, seu jeito de ser humano.
Sua existência determinada pela economia (razão) exige uma intervenção política (paixão) que destrua sua gênese (a posse individual dos meios de produção) e que promova uma revolução na economia.
Há também a questão de se alimentar a alienação: trata-se das propagandas de produtos, que desumanizam os homens, tendo o objetivo de relacionar o produto com o consumidor, apropriando-se dos homens, e atingindo seu propósito a partir do momento que o produto é consumido, e a sensação de "humanização" entregue após a utilização.
Em síntese, para melhor compreender o problema da alienação, é importante observar sua dupla contradição. Por um lado, há a ruptura do indivíduo com o seu próprio destino e há uma síntese da ruptura anterior, que apresenta novas possibilidades de romper a mesma alienação. O outro lado se apresenta como uma contradição externa, com o capital tentando tirar as características humanas do ser humano, o que, por sua vez, leva o homem a lutar pela reapropriação de seus gestos.
Após Marx confrontar a economia política lançando, pela primeira vez, a expressão "alienação no trabalho" e suas consequências no cotidiano das pessoas, Marx expõe, pela primeira vez, a alienação da sociedade burguesa – fetichismo, que é o fato de a pessoa idolatrar certos objetos (automóveis, joias etc.). O importante não é mais o sentimento, a consciência, pensamentos, mas sim o que a pessoa tem. Sendo o dinheiro o maior fetiche desta cultura, que passa a ilusão às pessoas de possuir tudo o que desejam a respeito de bens materiais.
É muito importante também destacar que alienação se estende por todos os lados, mas não se trata de produto da consciência coletiva. A alienação somente constrói uma consciência fragmentada, que vem a ser algumas visões que as pessoas têm de um determinado assunto, algumas alienadas sem saber e outras que não esboçam nenhum posicionamento.

A alienação na comunicação

Seria a comunicação uma alienação, uma vez que a alienação só existe por causa da comunicação? A alienação é passada de um comunicador que possui uma informação nova (verdadeira ou não) e é recebida por um receptor que até então desconhecia o assunto, sendo, então, alienado por esse comunicador. A partir disso, nota-se que tudo pode ser considerado "mensagens alienadas", pois, nas escolas, são passadas mensagens novas a toda hora e se é "obrigado" a acreditar nelas e levá-las como verdade. Não somente nas escolas, como também dentro das casas, igrejas, nos palanques eleitorais, nas ruas, meios de comunicação de massa etc., funcionando sempre da mesma forma.
A alienação normalmente vista nos meios de comunicação de massa por vários autores, onde esses meios estão sempre mandando novas mensagens (subliminares ou não), faz com que se acredite, na maioria das vezes, somente nas informações transmitidas por eles. Basicamente, os efeitos da alienação intensificam-se, fazendo com que a consciência se torne desconhecida a si própria ou a sua própria essência e fazendo se passar a demonstrar um profundo desinteresse por questões políticas ou sociais ou ate mesmo individual .

Fonte: Wikipédia