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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

 (do Latim fide) é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão. A fé acompanha absoluta abstinência de dúvida pelo antagonismo inerente à natureza destes fenômenos psicológicos e da lógica conceitual. Ou seja, é impossível duvidar e ter fé ao mesmo tempo. A expressão se relaciona semanticamente com os verbos creracreditarconfiar e apostar, embora estes três últimos não necessariamente exprimam o sentimento de fé, posto que podem embutir dúvida parcial como reconhecimento de um possível engano. A relação da fé com os outros verbos, consiste em nutrir um sentimento de afeição, ou até mesmo amor, por uma hipótese a qual se acredita, ou confia, ou aposta ser verdade.
Portanto, se uma pessoa acreditaconfia ou aposta em algo, não significa necessariamente que ela tenha fé. Diante dessas considerações, embora não se observe oposição entre crença e racionalidade, como muitos parecem pensar, deve-se atentar para o fato de que tal oposição é real no caso da fé, principalmente no que diz respeito às suas implicações no processo de aquisição de conhecimento, que pode ser resumidas à oposição direta à dúvida e ao importante papel que essa última desempenha na aprendizagem. É possível nutrir um sentimento de fé em relação a um pessoa, um objeto inanimado, uma ideologia, um pensamento filosófico, um sistema qualquer, um conjunto de regras, um paradigma popular social e historicamente instituído, uma base de propostas ou dogmas de uma determinada religião. Tal sentimento não se sustenta em evidências, provas ou entendimento racional (ainda que este último critério seja amplamente discutido dentro da epistemologia e possa se refletir em sofismos ou falácias que o justifiquem de modo ilusório) e, portanto, alegações baseadas em fé não são reconhecidas pela comunidade científica como parâmetro legítimo de reconhecimento ou avaliação da verdade de um postulado.
É geralmente associada a experiências pessoais e herança cultural podendo ser compartilhada com outros através de relatos, principalmente (mas não exclusivamente) no contexto religioso, e usada frequentemente como justificativa para a própria crença em que se tem fé, o que caracteriza raciocínio circular. A fé se manifesta de várias maneiras e pode estar vinculada a questões emocionais (tais como reconforto em momentos de aflição desprovidos de sinais de futura melhora, relacionando-se com esperança) e a motivos considerados moralmente nobres ou estritamente pessoais e egoístas. Pode estar direcionada a alguma razão específica (que a justifique) ou mesmo existir sem razão definida. E, como mencionado anteriormente, também não carece absolutamente de qualquer tipo de argumento racional.

Contexto Social

A expressão "fé" pode assumir diferentes conotações que se afastam parcialmente do significado original a depender do contexto quando empregadas pelo discurso coloquial ou técnico, como por exemplo, o legislativo: garantir, por encargo legal, a verdade ou a autenticidade do texto de um documento ou de um relato, de uma assinatura etc. Logo, no contexto social, podemos identificar algumas variações semânticas da expressão, tais como:

Má-fé

Designa-se má-fé quando um indivíduo, ou um grupo de indivíduos, age intencionalmente com o interesse de prejudicar alguém. Como exemplo poderíamos citar uma propaganda enganosa, um contrato desonroso, entre outros.

Boa-fé

Designa-se boa-fé quando alguém age de maneira honrosa e com boa conduta, quando faz o possível para cumprir seu dever. Quando é honrada, honesta, não engana, não age com dolo.

Fé pública

Presunção legal de autenticidade, verdade ou legitimidade de ato emanado de autoridade ou de funcionário devidamente autorizado, no exercício de suas funções. Tudo o que for registado possui fé pública. O registador age em nome do Estado quando usa a expressão dou fé, significando que o afirmado, transcrito e certificado é verdadeiro. Visa a proteger o terceiro que contrata confiando no que o registo publica. Em sentido geral, esse princípio possibilita que o terceiro realize, de boa-fé, um negócio oneroso, passando a ter a presunção de segurança jurídica.

Outras variações populares

Normalmente, a expressão popular dar fé significa "garantir", "assegurar" ou "transmitir confiança". Em termos gerais, significa "afirmar como verdade", "testificar", "autenticar", "prestar testemunho autêntico". Da mesma forma, a expressão botar fé expressa o sentimento de confiança, reconhecimento e aceitação.
Em Cabo Verde, o termo tomar fé é o mesmo que "tomar conhecimento", "notar".

Contexto religioso

No contexto religioso, "fé" tem muitos significados. Às vezes quer dizer lealdade a determinada religião. Nesse sentido, podemos, por exemplo, falar da "fé cristã" ou da "fé islâmica".
Para religiões que se baseiam em crenças, a fé também quer dizer que alguém aceita as visões dessa religião como verdadeiras. Para religiões que não se baseiam em credos, por outro lado, significa que alguém é leal para com uma determinada comunidade religiosa. A teologia católica define a fé como uma adesão da inteligência à verdade revelada por Jesus Cristo, conservada e transmitida aos homens pelo Magistério da Igreja.
Algumas vezes, fé significa compromisso numa relação com Deus. Nesse caso, a palavra é usada no sentido de fidelidade. Tal compromisso não precisa ser cego ou submisso e pode ser baseado em evidências de carácter pessoal. Outras vezes esse compromisso pode ser forçado, ou seja, imposto por uma determinada comunidade ou pela família do indivíduo, por exemplo.
Para muitos judeus, por exemplo, o Talmud mostra um compromisso cauteloso entre Deus e os israelitas. Para muitas pessoas, a fé, ou falta dela, é uma parte importante das suas identidades.
Muitos religiosos racionalistas, assim como pessoas não-religiosas, criticam a fé, apontando-a como irracional. Para eles, o credo deve ser restrito ao que é diretamente demonstrado por lógica ou evidência, tornando inapropriado o uso da fé como um bom guia. Apesar das críticas, seu uso como justificativa é bastante comum em discussões religiosas, principalmente quando o crente esgota todas as explicações racionais para sustentar a sua crença. Nesse sentido, geralmente as pessoas racionais acabam aceitando-a como justificativa válida e honrosa, provavelmente devido ao uso da palavra ser bastante impreciso, e geralmente associado a uma boa atitude ou qualidade positiva. A atitude também não é incomum entre alguns cientistas, com destaque para os teístas; embora a ciência, ao menos como estipulada pelo método científico, estabeleça um método de trabalho que exclui a fé e os credos como explicações válidas para fenômenos e evidencias naturais. Em ciência as ideias devem ser testáveis e por tal falseáveis, e o status de verdadeiro atrelado a uma ideia é mantido apenas durante a ausência de fato ou evidência científica contraditórios; e obrigatoriamente mediante a existência de fato(s) ou fenômeno(s) científicos que impliquem corroboração.
Permanece um ponto merecedor de discussão saber se alguém deve ou não usá-la como guia para tomar decisões, já que essas decisões seriam totalmente independentes das de outras pessoas e muitas vezes contrárias às delas, gerando consequências potencialmente danosas para o indivíduo e para a sociedade de que faz parte. Um exemplo de consequências danosas, curiosamente também fornecido por pessoas que aceitam o uso da fé (em seus casos particulares), são os ataques terroristas, onde a suposição de que a fé é um motivo válido para a crença e a admissão de que o terrorista pode alegar a fé como justificativa do atentado deixam, patentes, a gravidade do problema.

Fé em Deus

Algumas vezes, fé pode significar acreditar na existência de Deus. Para pessoas nesta categoria, "Fé em Deus" simplesmente significa "crença de alguém em Deus".
Muitos Hindus, Judeus, Cristãos e Muçulmanos alegam existir evidência histórica da existência de Deus e sua interação com seres humanos. No entanto, uma parte da comunidade de historiadores e especialistas discorda de tais evidências. Segundo eles, não há necessidade de fé em Deus no sentido de crer contra ou a despeito das evidências; eles alegam que as evidências naturais são suficientes para demonstrar que Deus certamente existe, e que credos particulares, sobre quem ou o quê Deus é e por que deve-se acreditar nele são justificados pela ciência ou pela lógica. Em uma perspectiva cristã protestante, foi no sentido definido pela primeira alegação citada que desenvolveu-se, segundo seus autores, a proposta do design inteligente. Críticos, contudo, afirmam que este desenvolveu-se objetivando apoiar ambas as alegações.
Consequentemente, a maioria acredita ter fé em um sistema de crença que é, de algum modo, falso, e tem dificuldade em ao menos descrevê-lo. Isso é disputado, embora, por algumas tradições religiosas, especialmente o hinduísmo, que sustenta a visão de que diversas "fés" diferentes são só aspectos da verdade final que diversas religiões têm dificuldade de descrever e entender. Essa tradição diz que toda aparente contradição será entendida uma vez que a pessoa tenha uma experiência do conceito Hindu de moksha.
Para a ciência, embora o então defendido credo e não necessariamente fé em Deus (ou outra deidade) possa vir a mostrar-se plenamente compatível com as evidências encontradas no mundo natural, tais evidências não são suficientes para garantir ou mesmo implicar a hipótese de Sua(s) existência(s) como certa. A definição mais difundida de Deus, aos olhos da ciência, faz-se por sentença constitutiva notoriamente e certamente não testável frente aos fatos naturais; e por tal é com elas sempre compatível, seja qual for a evidência ou fenômeno, dadas a onipotência e transcendência de Deus em sua definição tradicional. A não falseabilidade ou não testabilidade atreladas às definições de Deus (e demais deidades) bem como aos fenômenos sobrenaturais, não obstante justapostas às transcendências postuladas de tais seres ou eventos causais, são responsáveis pelos Deus(es), deidades ou causas sobrenaturais não figurarem como elementos ou hipóteses válidos no escopo científico propriamente dito. A ciência segue, em decorrência, o método científico e o naturalismo metodológico. E nesses termos, design inteligente não é ciência; e Deus encontra suporte apenas na fé.
Finalmente, alguns religiosos - e muitos dos seus críticos -, frequentemente, usam o termo "fé" como afirmação da crença sem alguma prova, e até mesmo apesar de evidências do contrário. Muitos judeus, cristãos e muçulmanos admitem que pode ser confiável o que quer que as evidências particulares ou a razão possam dizer da existência de Deus, mas que não é essa a base final e única de suas crenças. Assim, nesse sentido, "fé" pode ser: acreditar sem evidências ou argumentos lógicos, algumas vezes chamada de "fé implícita". Outra forma desse tipo de fé é o fideísmo: acreditar-se na existência de Deus, mas não deve-se basear essa crença em outras crenças; deve-se, ao invés, aceitar isso sem nenhuma razão. , nesse sentido, simplesmente a sinceridade na fé, crença nas bases da crença, frequentemente é associado com Soren Kierkegaard e alguns outros existencialistas, religiosos e pensadores. William Sloane Coffin fala que fé não é aceita sem prova, mas confiável sem reserva

Judaísmo

A teologia Judaica atesta que a crença em Deus é altamente meritória, mas não obrigatória. Embora uma pessoa deva acreditar em Deus, o que mais importa é se essa pessoa leva uma vida decente. Os racionalistas Judeus, tais como Maimónides, mantêm que a fé em Deus, como tal, é muito inferior ao aceitar que Deus existe através de provas irrefutáveis.

Na Tanakh


Na Bíblia Hebraica, a palavra hebraica emet ("fé") não significa uma crença dogmática. Ao invés disso, tem uma conotação de fidelidade (da forma passiva "ne'eman" = "de confiança" ou "confiável") ou confiança em Deus e na sua palavra. A Bíblia hebraica também apresenta uma relação entre Deus e os filhos de Israel como um compromisso. Por exemplo, Abraão argumenta que Deus não deve destruir Sodoma e Gomorra, e Moisés lamenta-se por Deus tratar os Filhos de Israel duramente. Esta perspectiva de Deus como um parceiro com quem se pode pleitear é celebrada no nome "Israel," que vem da palavra Hebraica para "lutar".

Cristianismo

Segundo o pensamento cristão, todo o conjunto dos ensinos transmitidos por Jesus Cristo e seus discípulos constitui a "fé" (Gálatas 1:7-9). A fé cristã baseia-se em toda a Bíblia ser a Palavra de Deus, incluindo as Escrituras Hebraicas, as quais Jesus e os escritores das Escrituras Gregas Cristãs frequentemente citaram em apoio das suas declarações. Segundo estas Escrituras, para ser aceitável a Deus, é necessário exercer fé em Jesus Cristo, e isto torna possível obter uma condição justa perante Deus.

Novo Testamento

FéFé é acreditar em coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem, independentemente daquilo que vemos, ou ouvimos".Fé
— Hebreus 11:1.
Na Bíblia, a palavra "fé" transmite a ideia de confiança, fidúcia, firme persuasão. A fé é "o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem" (Hebreus 11:1), é a convicção de algo subjacente a condições visíveis e que garante uma posse futura, sendo a base de esperança para se ter convicção a respeito de realidades não vistas. Segundo Romanos 10:17 a fé vem pelo aprendizado da bíblia.
Comentando a função da fé em relação ao convênio com Deus, o escritor da Epístola aos Hebreus traduz "fé" com a mesma palavra que geralmente aparece em antigos papiros oficiais de negócios, dando a ideia que um convênio é uma troca de garantias para futuras transferências de posses descritas no contrato. Nessa visão, Moulton e Milligan sugerem a redação: "Fé é o título da ação esperada." Sintetizando o conceito, no Novo Testamento a fé é a relação sobre a autorrevelação de Deus, especialmente no sentido de confidência com as promessas e medo de ameaças que estão nas escrituras. Os escritores evidentemente supõem que os seus conceitos de fé estão enraizados nas escrituras hebraicas. No mais, os escritores do Novo Testamento igualam fé em Deus com crença em Jesus.
Ainda de acordo com a Bíblia, sem a fé é impossível agradar a Deus, "porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam." (Hebreus 11:6) e, para quem deseja manter sua fé viva, é necessário que ela seja praticada pois "assim como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tiago 2:26).

Catecismo da Igreja Católica


Segundo o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (CCIC), a fé "é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos revelou e que a Igreja nos propõe para acreditarmos, porque Ele é a própria Verdade. Pela fé, o homem entrega-se a Deus livremente. Por isso, o crente procura conhecer e fazer a vontade de Deus, porque "a fé opera pela caridade" (Gálatas 5:6).

Catecismo de Westminster


Nas palavras do Catecismo de Westminster: "Fé em Jesus Cristo é a graça da salvação, por meio da qual nós recebemos e sobre ele repousamos para a salvação, como ele é ofertado para nós no evangelho". O objeto da fé salvadora é toda a revelação da palavra de Deus. O ato especial de fé que une a Cristo tem, como seu objeto, a pessoa e o trabalho do Senhor Jesus Cristo. Esse é o ato específico de fé de que um pecador é justificado perante Deus.
Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

El Shadday

El Shadday ou Shadday (em hebraico: אל שדי) é um dos títulos do Deus de Israel na Bíblia Hebraica. Ocorre cerca de 48 vezes em toda a Escritura nas construções El Shadday e/ou Shadday, este último, sem o epíteto teofórico El. Tal termo é convencionalmente traduzido como Deus Todo-Poderoso nas bíblias em português, apesar de existir, ainda hoje, discussões acerca do real significado dessa expressão na antiga mentalidade hebreia.

Shaddai como um topônimo

O termo pode significar "Deus das planícies", referindo-se à divindade mesopotâmica montanha. O termo foi um dos nomes patriarcais para o deus tribal dos mesopotâmicos. Em Êxodo 6:3, El Shaddai é identificado explicitamente com o Deus de Abraão e com YHWH. O termo aparece principalmente na Torá. Isso também poderia se referir a permanência do acampamento israelita no Monte Sinai, onde Deus deu a Moisés os Dez Mandamentos.
Shaddai era uma cidade amorita do final da Idade do Bronze, nas margens do rio Eufrates, no norte da Síria. O sítio do monte de sua ruína é chamado Tel eth-Thadyen: "Thadyen" sendo a tradução árabe moderna do original semítico ocidental "Shaddai". Especula-se que El Shaddai era, portanto, o "Deus de Shaddai" e associado a tradição com Abraão e a inclusão das histórias de Abraão na Bíblia hebraica pode ter trazido o nome do norte com eles

Fonte: Wikipedia

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Yeshua







O nome hebraico Yeshua (ישוע/ יֵשׁוּעַ) é uma forma alternativa de Yehoshua que vem do original paleo-hebraicoYEHOSHUA(יהושע) Josué, e é o nome completo de Jesus, Yeshua Hamashiach ישוע המשיח (transliterado ao grego Yeshuafica: Ιησου'α, "Iesua"/"Ieshua" [também Ιησου'ς, "Iesu' "/"Ieshu' "/"Iesus"]; Yehoshua [יהושוע/ יְהוֹשֻׁעַ‎] fica: Γεχοσούαχ) (em árabe Yeshua fica: يسوع "Yesu' "/"Yesua"/"Yasu' "/"Yasua"/"Yashua"; Yehoshua fica: يوشع "Yeusha"/"Y'usha"/"Yusha"/"Yush'a"/"Yushua"/"Y'ushua").
Na Bíblia hebraica a ortografia é usada uma vez em relação a Josué (Yehoshua), filho de Nun, mas é comumente utilizado em relação a Josué, o sacerdote no tempo de Esdras. O nome é também considerado por muitos como sendo o nome hebraico ou aramaico de "Jesus". Neste sentido o nome é usado principalmente pelos cristãos em Israel, e na tradução hebraica do Novo Testamento, como uma alternativa para a ortografia Yeshu ha Notzri utilizada pelos rabinos. Em outros países Yeshua é usado principalmente pelos judeus-messiânicos.

Etimologia

O nome "Yeshua" deriva-se de uma raiz hebraica formada por quatro letras – ישוע (Yod, Shin, Vav e Ayin) - que significa “salvar”, sendo muito parecido com a palavra hebraica para “salvação” – ישועה, yeshuah – e é considerado também uma forma reduzida pós-exilio babilônico do nome de Josué em hebraico – יהושע, Yehoshua – que significa “Jeová (YHWH) salva”. Essa forma reduzida era muito comum na Bíblia hebraica (ou Tanakh), que cita dez indivíduos que tinham este nome – como podem ser visto nos versos de Esdras (Ezra) 2:2, Esdras (Ezra) 3:2 e Neemias (Nehemiá) 12:10. "Josué", o Yehoshua, reduzido como Yeshua (aramaico), ou reduzido como Iesous (grego; onde não se pronuncia o "s" final); com esse último nome, a Roma-Grécia apelidou o sucessor de Moshê ("Moisés"), onde virou cultura e tradição. O Hebreu era filho de Num da tribo de Efraim, nascido no Egito, circuncidado com o nome de Hoshêa, ao consagrá-lo para seu sucessor Moshê deu-lhe o nome de Yehoshua, pois dentre os que saíram do Egito, ele foi achado digno de conduzir o povo de Israel à terra de Canaã.

Yeshua como o nome original de "Jesus"

A afirmação de que a forma Yeshua é o nome original de "Jesus" tem sido muito debatida atualmente – alguns afirmam que era Yehoshua ou que a própria forma grega do nome “Jesus” era usada entre os cristãos antigos (comunidades falantes do Grego existentes em Israel, durante o período helenístico e posteriormente, sempre afirmaram que os manuscritos originais do Novo Testamento foram escritos primariamente em Grego). De qualquer forma, já se tem provas explícitas de que "Jesus", seus primeiros discípulos e a população que vivia na Terra de Israel naquele período, falavam aramaico (ou um tipo de hebraico-aramaico). Eusébio de Cesareia relata que Mateus escrevera seu evangelho em “hebreu” (um termo que era usado referente a um dialeto do aramaico ou a língua hebraica propriamente dita).
Temos também o testemunho que restou da versão de "Áquilla" (um judeu que havia se convertido a Yeshua e posteriormente o renegou, retornando ao judaísmo) que, diferentemente da Septuaginta, traz em Deuteronômio a expressão IESOUA', com ALPHA no final, o que daria a entender que mesmo em grego havia uma forma para YESHUA, embora seja possível perceber Yeshua também em outras formas gregas, como IESOU', IESOUS (onde não se lê o "s" final, semelhante a um sotaque aramaico que pronuncia IEShU'.). Ainda na Septuaginta e na língua grega usada em textos judaicos como os escritos de Josefo e de Fílon de Alexandria, Ιησούς (Iēsoûs - lembrando que não se lê o "s" final) foi a forma padrão grega do nome hebraico “Josué” - יהושע (Yehoshua). Os indivíduos chamados pelo nome de "Yeshua" (aportuguesado por Jesuá nas Bíblias portuguesas) sempre foram transliterados também como Iēsoûs (ou primeiramente na forma Iēsoua´, como está na versão de "Áquilla".). Demonstrando ser realmente uma forma reduzida do nome “Josué” – Yehoshua – usado no dialeto falado durante tempo de Esdras e Neemias, Yeshua foi o nome preferido para o filho de "José" (Yosseph) segundo o que temos de Novo Testamento, assim mesmo, resumidamente, seja em grego (IESOU/IESOUS - lido como Yeshu') ou em aramaico YESHU' (às vezes lido como Yísho, Yeshua, dentre outros). Todas as ocorrências desta forma reduzida se encontram nos livros de Crônicas, Esdras e Neemias. Dois destes indivíduos são citados em outros livros bíblicos, mas na sua forma longa – Yehoshua (Josué filho de Nun e Josué filho de Jozadaque). A forma reduzida do nome é usada por Jesus filho de Sirá em fragmentos hebraicos do Livro de Sirá ou conhecido também como Eclesiástico. Baseados numa comparação destes textos, acadêmicos aceitam o fato de que este livro de Jesus ben Sirach foi originalmente escrito em hebraico, deixando evidente nele referências a estes antigos fragmentos hebraicos originais. Se isso for verdadeiro, pode-se estender a evidência do uso do nome Yeshua até o século II a.C.. Nenhum uso do nome Yeshua é achado no Talmud, exceto em citações literais da Bíblia hebraica quando esta cita Josué filho de Jozadaque. Porém o nome Yehoshua foi muito utilizado durante o período dos Hasmoneus e até um pouco depois. Ao referir-se a um certo "Jesus" , o Talmud o chama de "Yeshu", pois podemos ler no Talmude Babilônico a acusação dos judeus contra ele: "Na véspera da Páscoa eles penduraram Yeshu [...] ia ser apedrejado por prática de magia e por enganar Israel e fazê-lo se desviar [...] e eles o penduraram na véspera da Páscoa." (Talmude Babilônico, Sanhedrim 43a)
Yeshua Hamashia significa Jesus Cristo, o Messias.
Um termo em aramaico, que era a língua falada por Jesus que deu origem a diversos idiomas falados até hoje. Os judeus, principalmente em Israel, ainda utilizam bastante a palavra. É possível encontrá-la no Novo Testamento porém, com uma ortografia diferente: Yeshu ha Notzri.
Yeshua Hamashia também pode ser escrito em hebraico, que é a língua sagrada dos judeus, a grafia é exatamente a mesma do aramaico. O nome Yeshua é escrito também como Yehoshua, traduzido em português para Josué

Yeshu no Talmud

Nos relatos de Toledot Yeshu, elementos dos Evangelhos sobre Jesus são conflitados com descrições dos indivíduos chamados pelo nome de “Yeshu” no Talmud. Price interpreta “Yeshu” como uma forma abreviada de “Yeshua” e argumenta que esta era a forma pelo qual Jesus era conhecido pelos Judeus. De qualquer forma, as narrativas de Toledoth Yeshu tipicamente explicam a designação Yeshu como um acrônimo da frase hebraica ימח שמו וזכרו - Yemach Shemô Vezichrô (Que seja esquecido seu nome e sua memória) e declararam que este nome originalmente era Yãhushua (esta é a pronuncia mais aproximada.). Já outros, dizem que o responsável pela diminuição, por assim dizer, foi o sotaque galileu, que pronunciou YESHU devido sua dificuldade de falar a letra final gutural. Isso também podemos detectar em nomes de pessoas árabes, como por exemplo o sobrenome IACHOUH (pronuncia-se: i-ê-shu, ou às vezes i-ê-shu-ah).

Yeshua na Antiga Bíblia Siríaca

Um argumento a favor da originalidade da forma “Yeshua” pode ser encontrada no fato do uso dessa na Antiga Bíblia Siríaca, composta no século III d.C. (vale a pena consultar as Igrejas de Jeshu' - Yeshua/Jesus -, como a Igreja Siríaca Ortodoxa no Brasil, a Igreja Católica Siríaca, dentre outras.). A Peshitta (versão aramaica do Novo Testamento) usa também a forma “Yeshua” em seus escritos. A moderna pronúncia do Síriaco deste nome é Eeshoo, Yíshuh (às vezes Yíshoh), ou seja, temos o testemunho árabe da problemática da letra "E", e do "A" final - como visto no sobrenome citado acima; mas sua pronúncia antiga era similar a “Yeshua” (i-ê-shu-ah). Com isso, pode-se argumentar que os falantes do aramaico, que usavam este nome na sua forma “Yeshua”, escreveram-na em seus escritos e evangelhos a fim de preservar o nome original de "Jesus" usados por eles.

O nome árabe

O nome árabe para Jesus usado pelos cristãos, Yasu’a (يسوع), sendo derivada de Yeshua (ou seja, a mesma coisa se considerarmos que esta letra "a" que aparece aqui no árabe tem som de "e", como em mohammEd, e se considerarmos também o "s" chiado), mas não é o nome usado para "Jesus" no Alcorão e em outras fontes muçulmanas. O nome tradicional para Jesus é “‘Isa” (عيسى, Ayn – Ya – Sin – Ya). Aparentemente este nome lembra o nome hebraico de Esaú – עשו (ESAV, Ain – Shin – Vav), . Juferi [3] argumenta que este nome árabe citado no Alcorão para Jesus é realmente derivado do aramaico “Yeshua'” - ܝܫܘܥ. – no qual considera também ser o nome original de "Jesus". Parece bem ter vindo do aramaico: I S A - em outros sotaques - sendo o mesmo que I S Â ou I S Ô (o Yíshoh do modo aramaico citado acima), um tipo de diminutivo de Yeshua na pronúncia com sotaque diferenciado; mas é i-ê-shu-ah do mesmo modo para outros leitores, que sempre deve ser lido com a tônica na letra "e" - ou primeira sílaba e não na letra "u", como alguns erroneamente pronunciam, o que deturpa o significado, que deixaria de ser "Deus (YHWH) Salva" ou "Deus (YHWH) é a nossa salvação" para ser utilizado apenas como a palavra aramaica para "Salvação". Jesus também aparece em algumas culturas mais modernas com um nome de sete (7) letras que formam a pronúncia de Yahoshua (com variantes de Yauxua, Yahushua, Yaushua, Yaoshua e etc), esses pequenos grupos mais modernos são variantes de igrejas outrora pentecostais e neo pentecostais que receberam uma doutrina de que o tetragrama (YHWH) teria sido adicionado ao nome Yeshua (alguns grupos variam dizendo que seria a adição em Yahoshua conhecido no português como Josué). Os testemunhas de Yahushua (ou Yaohushua) como se denominam (também "Ohol"/"Oholyao") acreditam nos conceitos cristãos e são cristãos em doutrina, o que difere é o uso do nome como fonte de salvação. Alguns negam a lei judaica (Toráh) e as takanot (tradições) judaicas.
Fonte: Wikipédia

sábado, 9 de setembro de 2017

Incenso

Incenso (do latim: Incendere, "queimar") é composto por materiais aromáticos chamados bióticos (originado por seres vivos - no caso, plantas) que liberam fumaça perfumada quando queimados. O "incenso" refere-se à substância em si, mais do que o cheiro que ela produz. Ele é usado em cerimônias religiosas, rituais de purificação, aromaterapias , meditação, para a criação de um estado de espírito, e para mascarar algum mau odor. O uso do incenso se originou no Antigo Egito, onde as resinas de goma e resinas oleosas de árvores aromáticas foram importadas das costas da Arábia e Somália para serem usadas em cerimônias religiosas.
 
O incenso é composto por materiais provenientes de plantas aromáticas, muitas vezes combinados com óleos essenciais. As formas do incenso tem mudado com os avanços da tecnologia, as diferenças de cultura subjacente, e com a diversidade nas razões para queimá-lo. Os dois principais tipos geralmente podem ser divididos em "queima indireta" e "queima direta". O incenso de queima indireta, também chamado de "incenso não-combustível", requer uma fonte separada de calor, uma vez que não é capaz de queimar-se. O incenso de queima direta, também chamado de "incenso combustível", é aceso diretamente por uma chama e depois se espalha, a brasa do incenso irá arder e liberar a fragrância. Exemplos de incenso de queima direta são as varas de incenso (incenso), cones ou pirâmides.

Igreja Católica

Seminarista com Turíbulo
Nos rituais da Igreja Católica, o uso do incenso, assim como de tantos outros elementos que envolvem os sentidos humanos, tem embasamento em passagens bíblicas como "Apresente-se a minha oração como incenso diante de ti..." (Salmos 141:2) e "Subiu o fumo do incenso com as orações dos santos da mão do anjo diante de Deus" (Apocalipse 8:4). Dessa forma, o propósito primígeno do uso do incenso na missa é simbolizar as orações dos fiéis se elevando a Deus. Ou seja, o uso do incenso é um símbolo de oração. O ritual mosaico empregava o incenso em muitos sacrifícios, só ou com outros perfumes; havia também o altar dos perfumes em que se queimava incenso de manhã e de tarde. Os cristãos adotaram cedo o uso do incenso. Em Jerusalém, no século IV, já se empregava em todos os grandes Ofícios.

Outra passagem bíblica que remete ao incenso, se dá em Mateus 2:11, na qual o incenso foi um dos presentes dado ao menino Jesus por um dos três reis magos quando de seu nascimento: Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, adoraram-no; e abrindo os seus cofres, fizeram-lhe ofertas de ouro, incenso e mirra.
O recipiente em que se queima o incenso é chamado incensário ou turíbulo.

História

Incenso foi usado por culturas chinesas desde os tempos neolíticos e seu uso tornou-se mais difundido durante as dinastias Xia, Shang e Zhou. O primeiro exemplo documentado formal de utilização de incensos vem de quando usaram incenso composto de ervas e produtos vegetais (como cássia, canela, styrax, sândalo, entre outros) como um componente de ritos cerimoniais. Eventualmente, os hindus adotam o uso do incenso, adaptando a formulação para abranger raízes aromáticas e outros componentes da flora indiana. Esta é a principal razão pela qual os incensos indianos sejam considerados mais perfumados que os chineses .


Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Glossofobia

Medo de falar em público ou medo do palco é também denominado como Glossofobia. Muitas pessoas experimentam algum grau de ansiedade antes de falar em eventos; porém a maioria consegue superar isso, não importa quão desagradável possa ser
Em caso de glossofobia extrema, no entanto, os indivíduos simplesmente congelam antes de se apresentar em público. Eles podem ser incapazes de falar. Eles podem sentir boca seca, começam a suar, tremer ou ter palpitações.

Nem é preciso dizer que glossofobia pode levar a situações altamente embaraçosas. As pessoas com medo de falar em público tendem a tentar evitar essas situações completamente. Empresários podem experimentar reveses profissionais devido à sua incapacidade para fazer apresentações. Glossofobia também pode surgir subitamente em atores experientes e músicos que podem começar a achar difícil fazer shows e eventos. Até pilotos e tripulação de cabine de aviões com medo de falar em público podem abster-se de fazer anúncios em áudio.

Os sintomas do medo de falar em público

Sinais e sintomas do medo de falar em público comuns incluem ansiedade ou nervosismo antes do evento que envolve falar para um grupo de pessoas. Isso inclui trabalhos na escola, seminários na faculdade, apresentações no trabalho, até mesmo cumprimentar pessoas que estão em um grupo.
Os sintomas físicos da Glossofobia incluem:
  • Ataques de pânico caracterizados por sudorese ou tremores
  • Boca seca
  • Náuseas e vômitos em casos extremos
  • Rigidez nos músculos do pescoço e nas costas
  • Voz tensa e fraca ou trêmula
Além destes sintomas físicos, sintomas verbais e não verbais também podem se manifestar, como aumento da pressão arterial e frequência cardíaca.

Causas de Glossofobia

A causa exata da Glossofobia é desconhecida, mas é provável que certos eventos traumáticos no passado quando criança ou mesmo já como adulto podem ter levado a esse medo de falar em público. Muitas vezes o indivíduo que lida com esta fobia pode evitar falar em público por tanto tempo que o que era uma ansiedade normal ansiedade normal, pode se transformar em um pânico quase incontrolável.
A maioria dos indivíduos que sofrem com o medo de falar em público também estão com pouca auto-estima, esperam a perfeição em tudo que fazem, buscam a aprovação constante, ou esperam o fracasso.

Tratamento para Glossofobia

Há muitos remédios fitoterápicos e homeopáticos que podem ajudar a acalmar a ansiedade experimentada antes dos eventos que envolvem falar em público. Acônito ou Gelsemium pode ser recomendado por homeopatas com base no histórico exato, sintomas, bem como a natureza e temperamento do indivíduo. Remédios de ervas, como erva-cidreira, lavanda e flor da paixão também podem ajudar a acalmar os nervos antes de um evento que exija falar em público.

Em caso de tratamento tradicional ou ortodoxo para Glossofobia, beta-bloqueadores podem ser prescritos para a ansiedade suave, controlando agitação ou tremor e também para diminuir a frequência cardíaca. Há várias restrições ao tomar estes medicamentos: deve-se especialmente falar com um médico sobre estes medicamentos quando se sofre de diabetes, depressão ou doenças cardíacas etc.

Muitos cursos de falam em público, associações e clubes são dedicados a ajudar as pessoas a aliviar essa fobia tão comum. Terapia de fala, terapia cognitivo-comportamental e aconselhamento também podem ajudar.
Remédios alternativos ou complementares como a hipnose, visualização positiva, meditação e até mesmo acupuntura podem ser tratamentos válidos na busca por superar o medo de falar em público.

Fonte: psicoativo

terça-feira, 4 de julho de 2017

Síndrome de Prader-Willi

A síndrome de Prader-Willi (SPW) é uma anomalia neurogenética, congênita e multissistêmica, marcada por alteração nas áreas q11 e q12 do cromossomo 15 de origem paterna.  Ela afeta especialmente o hipotálamo, pequena região do encéfalo dos mamíferos do tamanho aproximado de uma amêndoa. Dentre suas múltiplas funções, cabe ao hipotálamo adequar a produção de hormônios (o hormônio do crescimento, da tireoide e a ocitocina, por exemplo), regular os estados de humor, o sono, a libido e controlar as sensações de fome e saciedade.
A principal manifestação do distúrbio é a fome insaciável, que persiste o tempo todo e pode levar os portadores da síndrome a comer exagerada e compulsivamente.
Descrita pela primeira vez, em 1956, pelos médicos suíços Andrea Prader, Heinrich Willi e Alexis Labhart, a síndrome de Prader Willi está inserida na categoria de doenças raras, aquelas que apresentam incidência menor do que um a cada 15 mil nascimentos. De maneira geral, são doenças crônicas, de origem genética e baixa prevalência, porém potencialmente fatais.
No Brasil, não há registro sistemático do número de portadores da síndrome, que pode afetar meninas e meninos, indistintamente.

Causas
A síndrome de Prader-Willi é considerada a principal causa genética da obesidade infantil. Embora ainda não se saiba exatamente por que isso acontece, é certo que a maioria dos casos resulta de um erro genético aleatório, não hereditário, que ocorre no momento da concepção, quando se formam os gametas. Entre as falhas possíveis, é importante destacar:
  • Ausência (deleção) dos genes paternos no cromossomo 15;
  • Dissomia uniparental materna: a criança herda duas cópias íntegras do cromossomo 15 da mãe e nenhuma do pai;
  • Erro ou defeito no centro de impriting genômico do cromossomo 15 de origem paterna. Por imprintig genômico, ou parental, entende-se que o mecanismo de expressão de alguns genes pode dar-se através de um único alelo, que tanto pode ser o do pai quanto o da mãe. Nessa síndrome, a cópia materna prevalece e a paterna é apagada.
 Sintomas
Os sintomas da síndrome de Prader-Willi podem variar muito de uma pessoa para outra em tipo, grau e intensidade.
Além dos problemas com o apetite incontrolável, que podem levar à obesidade precoce e às complicações geradas pelo excesso de peso (hipertensão arterial, apneia do sono e diabetes, por exemplo), o defeito genético no cromossomo 15 paterno pode determinar alguns traços faciais típicos. São eles: olhos amendoados, cantos da boca virados para baixo, lábio superior bastante fino, estreitamento na região das têmporas, problemas dentários e visuais (estrabismo e miopia são só um exemplo).
Baixa estatura, mãos e pés pequenos, hipogonadismo (ovários e testículos pouco desenvolvidos, criptorquidia), pele e cabelos mais claros do que os dos pais, saliva espessa e viscosa, escoliose são outras características físicas comuns nos portadores da síndrome.
No entanto, a hipotonia (fraqueza muscular) generalizada é o sinal da síndrome que mais chama a atenção nos recém-nascidos. Ela melhora com o tempo, mas nunca desaparece completamente. Formas mais leves e moderadas costumam persistir por toda a vida.
São outros sintomas possíveis dessa condição, a dificuldade para respirar e para manter a temperatura do corpo, distúrbios do sono, maior tolerância à dor o que favorece os episódios de automutilação, assim como o atraso no desenvolvimento neuromotor (a criança leva mais tempo para sentar, engatinhar e andar), dos caracteres sexuais, da aprendizagem, da linguagem e alterações do comportamento – normalmente dóceis e amorosas, têm crises de birra, teimosia, violência – durante a infância e a adolescência, especialmente quando se descontrolam diante da comida.

Evolução do quadro
Na gravidez, a diminuição do movimento fetal e a concentração de níveis elevados de líquido amniótico na barriga da gestante (polidramnia) merecem ser investigadas. Elas podem ser sinal de que a criança é portadora da síndrome de Prader-Willi, que irá dificultar a realização do parto normal por duas razões: primeira, o bebê apresenta fraqueza muscular generalizada; segunda, na maioria dos casos está sentado, isto é, na posição pélvica.
Durante os primeiros meses de vida, por paradoxal que possa parecer, a dificuldade maior é conseguir alimentar essas crianças. Em virtude do baixo tônus muscular, elas demonstram pouca força para sugar e deglutir. Além disso, dormem muito, choram pouco e bem baixinho. Essa fase é marcada por atraso no desenvolvimento global dos portadores da síndrome, atraso que vai sendo superado à medida que as crianças se tornam mais ativas e conseguem alimentar-se melhor.
Ainda na primeira infância, como o cérebro não reconhece os sinais de saciedade, o sintoma mais marcante é a hiperfagia (ingestão excessiva e descontrolada de alimentos). A compulsão por comida associada ao metabolismo mais lento próprio da síndrome e à falta de atividade física, reverte em ganho rápido de peso. Por isso, a síndrome de Prader-Willi é considerada importante causa genética da obesidade infantil.
Nessa fase, em maior ou menor grau, podem ficar evidentes outras manifestações da síndrome, a saber: prejuízo das funções cognitivas, retardo mental moderado, instabilidade emocional, alterações de humor e dificuldade de estabelecer relacionamentos sociais, rejeição a mudanças na rotina. Essas características do distúrbio podem permanecer ao longo de toda a vida.

Diagnóstico
A dificuldade maior para o diagnóstico precoce da síndrome de Prader-Willi é o fato de ser um problema de saúde pouco conhecido, inclusive pelos médicos da criança.
Portanto, quem lida com a criança precisa estar sempre alerta. Nos primeiros meses de vida, a hipotonia e a dificuldade de sucção são sinais característicos do transtorno que devem levantar a suspeita de a criança ser portadora de disfunção do hipotálamo. Outro dado a considerar, é o baixo desempenho no teste de Apgar que avalia as condições de saúde do bebê no primeiro e no quinto minuto de vida, de acordo com os seguintes critérios: frequência cardíaca, respiração, tônus muscular, prontidão reflexa e cor da pele.
Estudos mais recentes mostraram que portadores da síndrome possuem níveis altos de grelina no sangue . Conhecido como o hormônio da fome, uma de suas funções é estimular o apetite, que se torna incontrolável nessas pessoas.
Para chegar ao diagnóstico definitivo, porém, além desses elementos, o médico leva em conta a resposta de um teste genético que identifica a ausência de informações provenientes da região do cromossomo 15 paterno.
Quanto antes for feito o diagnóstico e iniciado o atendimento, melhor será a qualidade de vida dos pacientes e familiares.

Tratamento
Embora não se consiga curar nem prevenir a síndrome de Prader-Willi, porque ainda não se encontrou uma forma de corrigir a anomalia que dispara o processo, o tratamento orientado por equipe multidisciplinar – pediatra, endocrinologista, neurologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, pedagogo, terapeuta ocupacional, etc. – permite aliviar a intensidade dos sintomas dos portadores da síndrome, que viverão mais e melhor.
Nesse sentido, mesmo antes de ser definido o diagnóstico, é preciso encontrar uma forma eficaz para alimentar a criança hipotônica no primeiro ano de vida, a fim de garantir-lhe a oferta dos nutrientes necessários para seu desenvolvimento físico e mental.
Depois, os cuidados devem voltar-se para o controle da hiperfagia, que leva à obesidade precoce e suas complicações, pondo em risco a vida da pessoa. Já ficou demonstrado que os medicamentos moderadores do apetite conhecidos são ineficazes nesses casos. A opção, portanto, de recorrer a uma dieta equilibrada, mas restritiva, com 900 a 1000 calorias diárias, no máximo, sem deixar de atender as necessidades básicas de nutrição.
Para ajudar a criança, que não medirá esforços para obter comida, mantê-la ocupada a maior parte do tempo, estabelecer horários rígidos para as refeições e dar preferência a alimentos com baixo valor calórico são táticas úteis para controlar a compulsão por alimentos. Paralelamente, a prática diária de exercícios físicos constitui um recurso extraordinário não só para o controle o ganho de peso corpóreo, como também para o fortalecimento dos sistemas respiratório e muscular.
A indicação do hormônio do crescimento (GH), mesmo para os pacientes que não apresentam deficiência desse hormônio, tem demonstrado benefícios terapêuticos que vão além de o ganho de estatura, aumento da massa magra e redução de tecido adiposo.  Estudos indicam que esse hormônio produz efeitos positivos na melhora da densidade óssea, da resistência física e do comportamento obsessivo-compulsivo de maneira geral.
O apoio e acolhimento da família somado ao acompanhamento psicológico – que muitas vezes precisa ser estendido para o familiares – são condições fundamentais para o êxito do tratamento.

Recomendações
  • É muito importante destacar que a palavra síndrome significa um conjunto de diferentes sinais e sintomas associados a um distúrbio complexo, sem causa específica ou determinada, que não ocorre da mesma forma em todas as pessoas afetadas. Cada portador do transtorno desenvolve manifestações clínicas de acordo com as características e intensidade do comprometimento. É essa variedade de sintomas que deve nortear as diretrizes do tratamento;
  • Portadores da síndrome de Prader-Willi devem submeter-se a um programa de acompanhamento médico sistemático e rigoroso, que atenda às peculiaridades de cada caso e avalie os efeitos da medicação;
  • Todo cuidado é pouco com o uso de analgésicos e anestésicos. Esses medicamentos permanecem por mais tempo no organismo dos portadores da síndrome de Prader-Willi e podem representar um fator de risco se forem utilizados em doses elevadas ou combinados;
  • A hipotonia impede que, mesmo comendo exageradamente, as pessoas consigam vomitar. O refluxo gástrico, porém, é um sintoma frequente que precisa ser tratado para evitar o risco de complicações pulmonares;
  • O aconselhamento de um geneticista para avaliar a risco de o casal ter outro filho com o transtorno é uma informação necessária para nortear o planejamento familiar.
 
Fontes:
1. International Prader-Willi Syndrome:
a) Consensus diagnostic criteria
b) Prader-Willi Syndrome: Prader–Willi syndrome (SB Cassidy, DJ Driscoll – European Journal of Human genetics;
c) Mortality in Prader-Willi syndrome
2. Associação Brasileira da Síndrome de Prader-Willi
3. Mayo Clinic – Diseases & Conditions/ Prader Willi Syndrome
4. Síndrome de Prader Willi – Fiocruz
5. Síndrome de Prader-Willi – Fleury Medicina e Saúde/Assessoria Médica
6. Associación da Síndrome de Prader-Willi de Andalucia (ASPW) – “ Manual para famílias de personas afectadas por el Sindrome de Prader-Willi

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Shekhinah

Shekhinah ou Shekiná (em hebraico: שכינה, Pronúncia: [ʃe̞χiˈnä]; "habitação", "assentamento") (outras transliterações possíveis: Shekinah, Shechinah, Shekina, Shechina, Schechinah) é a grafia em português de uma palavra gramaticalmente feminina em hebraico e é utilizada para designar a habitação ou presença de Deus (cf. divina presença), especialmente no Templo em Jerusalém. No entanto, Shekina não é a Gloria de Deus; Kabod sim é a Gloria de Deus. Sendo que essa palavra não é encontrada em nenhum dicionario hebraico.

Etimologia

Shekhinah é derivada do verbo hebraico שכן (ShKhN). No hebraico bíblico, esta palavra nunca foi usada, apenas a sua raiz, na forma verbal. Shekhinah significa literalmente, assentamento, habitação ou moradia. A palavra Shekhinah só aparece na Cabala hebraica. O verbo Shakhan é usado na Bíblia hebraica (ver Êxodo 40:35: " Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem permanecia [Shakhan] sobre ela, e a glória do SENHOR enchia o tabernáculo"). Ver também por exemplo, Gênesis 9:27, Gênesis 14:13, Salmos 37:3, Jeremias 33:16), bem como na bênção semanal do Shabat, recitada no Templo de Jerusalém ("Ele, que faz com que o seu nome habite [shochan] nesta Casa, para habitar no meio de vocês o amor e fraternidade, paz e amizade").

Significado no Judaísmo

Designando a faceta da revelação divina aos homens, a "Divina Presença", sendo também considerada a face "feminina" e "materna" dela. O vocábulo "shechiná" não aparece na Bíblia Judaica nem no Novo Testamento, sendo uma palavra derivada da raiz hebraica ש-כ-נ (sh-k-n), cujo significado é "habitar", "fazer morada".
De acordo com a concepção cabalística e do ramo hassidísmo do judaísmo, a Shechiná é uma energia cósmica poderosíssima em si mesma, que habita no "interior" do Universo e vivifíca-o, sendo a sua "alma" ou "espírito".
"A Shekiná, como uma ideia concreta, aparece só na Literatura rabínica, havendo somente "alusões" a esta presença divina, no meio do povo de Israel, na Torá, quando Deus disse ao seu povo "וְעָשׂוּ לִי מִקְדָּשׁ וְשָׁכַנְתִּי בְּתוֹכָם" - "e fareis um santuário para Mim, e habitarei no meio deles (dos israelitas);"וְשָׁכַנְתִּי בְּתוֹךְ בְּנֵי יִשְׂרָאֵל, וְהָיִיתִי לָהֶם לֵאלֹהִים" - "e habitarei no meio dos filhos de Israel, e serei-lhes por Deus"; e "יְהֹוָה צְבָאוֹת הַשֹּׁכֵן בְּהַר צִיּוֹן" - "o Eterno dos exércitos, aquele que habita em Sião.
Esta faceta da divindade, que é a menor de todas as outras revelações, é o meio comunicativo entre o homem e Deus. Ela é "mensurável" de acordo com a posição de cada pessoa e dos seus atos; sendo que, às vezes, ela se revela e, às vezes, se oculta, como os Sábios de Israel disseram, quando se referiam ao Segundo Templo, que não tinha a "pairar da Shechiná (sobre ele)". Já em relação ao Diáspora, os rabinos disseram que, de alguma forma, a Shechiná preservou uma relação com Israel, especialmente quando este passou por períodos difíceis, espalhados entre as nações: "a todo lugar onde para lá foi exilado Israel - a Shechiná foi (também) exilada com ele", sofrendo também com ele nos infortúnios. Rabi Chanina, no Talmude, agrava ainda mais esta concepção, quando diz que "aquele que esbofetea a face de Israel, é como se estivesse esbofeteado a face da Shechiná".

A Shekhinah no Cristianismo

Muitos cristãos também consideram que a Shekhinah tenha se manifestado em inúmeros casos no Novo Testamento, como no caso de Jesus no monte da transfiguração (Mc 9.7-11) e na sua ascensão (At 1.9-11).

A Shekhinah no Islamismo

A palavra سكينة (Sakinah) é mencionada seis vezes no Alcorão. Ela representa garantia de paz, calma e tranquilidade. O capítulo 2, versículo 248 diz: "E seu mensageiro disse-lhes: Em verdade! O sinal do seu reino é que não virá a vós At-Tabut (a arca perdida), onde é Sakinah do vosso Senhor e um remanescente do que Moisés e Arão deixaram para trás, levado pelos anjos. Em verdade, nisto há um sinal para vós, se sois crentes." É muitas vezes descrita como "sensação reconfortante de estar na presença (ou sob a proteção) de Deus."
Fonte: Wikipédia